Está à procura de dicas e ferramentas para ajudar a acalmar uma criança com autismo em casa, na escola ou na terapia?

Ao longo das próximos artigos vamos publicar as melhores estratégias para evitar a ocorrência de momentos de crise, gerir a sua duração e intensidade, bem como as nossas ferramentas e atividades favoritas para trazer crianças (e adultos) de volta a um estado tranquilo quando grandes emoções surgem.

O que é uma crise?

Na sua maioria, senão todos os pais de crianças com 2 anos ou mais já vivenciaram uma birra do seu filho em algum momento, mas existem diferenças entre uma birra e um colapso/crise no autismo. Superficialmente parecem muito semelhantes, mas enquanto as birras costumam ser comportamentos direcionados a um objetivo, alimentados pelo público, as crises geralmente ocorrem em resposta a sentimentos de sobrecarga e acontecem com ou sem espetadores.

As birras costumam ser uma estratégia de manipulação usado por crianças pequenas para tentar obter o que desejam. As crises no autismo, por outro lado, podem acontecer em qualquer idade, são mais intensas e emocionais e costumam durar muito mais tempo.

Um colapso normalmente começa com sinais de alerta que são caracterizados por um acumular de emoções que causam gritos, instabilidade, movimentos corporais repetitivos, e outros comportamentos que indicam que a pessoa está prestes a perder o controlo e, se não for redirecionada atempadamente, pode levar momentos de fúria extrema.

Gerir colapsos no autismo pode ser extremamente difícil. Ao contrário das birras, as crises não podem ser atenuadas por meio de recompensas e subornos, pois o objetivo do colapso não é obter algo. Não há objetivo final, a não ser ter controlo sobre uma situação de sobrecarga, e é preciso tempo para que os pais e os cuidadores descubram como acalmar uma criança com autismo e de como evitar que tais comportamentos ocorram.

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  • Estratégia 1

Embora as alterações súbitas de humor possam aparentemente surgir do nada, as crises no autismo normalmente seguem um fluxo previsível – gatilho (momento inicial), fúria e recuperação – e há certas estratégias que os cuidadores podem aplicar para evitar que eles ocorram e diminuir a intensidade dos colapsos quando eles acontecem.

Use um quadro ABC.

Primeiro deve realizar uma análise do comportamento da criança ao longo de algum tempo através de um Antecedent-Behavior-Consequence Chart – (Quadro de – antecedente, comportamento, consequência). É simples de criar e usar e pode ser muito eficaz para determinar a causa de comportamentos desafiadores. Cada vez que a criança tem uma crise, reserve alguns minutos, quando for conveniente, para anotar o ABC desse evento específico e os comportamentos que ocorreram:

  • Antecedente: os eventos que ocorreram antes da crise acontecer;
  • Comportamento: a resposta da criança ao antecedente;
  • Consequência: o que aconteceu após o comportamento para encorajar/impedir a repetição da situação;

A ideia é sinalizar o comportamento – neste caso, a crise – várias vezes para determinar se há alguma consistência (padrões semelhantes) e, de seguida, formular um plano para alterar o antecedente e/ou consequência para garantir que as crises diminuam.

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  • Estratégia 2

Formular um plano de ação.

Embora possa ser tentador evitar todas as situações que desencadeiam uma crise no autismo, o comportamento de evitamento é

uma solução de curto prazo com repercussões a longo prazo, portanto seja cauteloso na sua aplicação repetida.

O objetivo final dos cuidadores é ajudar as crianças a tornarem-se independentes. Assim, quando estiver definido o que desencadeia a crise na criança, é o momento de fazer uma pausa, reunir a família/equipa terapêutica e educativa, escrever e encontrar estratégias de coping

(alternativas para enfrentar a situação) que a criança pode usar quando se depara com momentos que considera de sobrecarga.

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  • Estratégia 3

Reconhecer os sinais de alerta. A fase de gatilho de uma crise no autismo, na maioria das vezes é tão evidente que os pais

e cuidadores conseguem detetar os sinais de alerta com antecedência. A criança pode ficar tensa ou retrair-se, ou pode apresentar sinais mais externos, como instabilidade, movimentos corporais ou falar baixinho.

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Seja qual for o antecessor, a intervenção antecipada é a chave para gerir as crises, então preste atenção e aja rapidamente!

Redirecione e distraia. Assim que for capaz de reconhecer os sinais de alerta de uma crise iminente, redirecione e distraia a criança da melhor maneira possível para evitar que suas emoções aumentem.

 Fique calmo. Sabemos que parece uma estratégia óbvia demais, mas quando se trata de descobrir como acalmar uma criança com autismo, nunca subestime o poder das suas próprias palavras, ações e pistas não-verbais. Dê o exemplo respirando fundo, evite movimentos repentinos e fale com voz baixa para ajudar a incutir uma sensação de calma em todos.

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  • Estratégia 4

Mude o ambiente. Sempre que possível, retire o indivíduo da situação e leve-o para um local tranquilo para se acalmar. Considere criar uma sala sensorial ou um canto em casa com ferramentas calmantes à mão e mantenha sempre alguns desses objetos no carro ou na carteira para estar preparado e pronto para intervir quando necessário (os objetos variam de criança para criança e podem alternar entre um simples spinner ou um trampolim. É importante avaliar o que resulta para cada um).

Permitir comportamentos de autoestimulação (se seguros). Embora os cuidadores frequentemente tentem desencorajar estes comportamentos em público (movimentos ou sons repetitivos, diferentes de criança para criança), há que entender que, por vezes, esses comportamentos ajudam a criança a autorregular-se e não devem ser intercetados durante uma crise, a menos que a criança ou os outros corram riscos físicos.

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  • Estratégia 5

Seja consistente e siga um cronograma: uma rotina regular com consistência em todos os aspetos tende a melhorar significativamente o desenvolvimento de uma criança com autismo. Embora manter esse padrão diariamente seja impossível, pois fomentar a flexibilidade também é positivo, é importante manter uma programação previsível do dia-a-dia da criança.

Recrute a família/equipa terapêutica e educativa para garantir um trabalho conjunto, quando ocorrerem eventos que atrapalhem a rotina (ou seja, pandemia, viagens, férias escolares, etc.), avise a criança com a maior antecedência possível.

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  • Estratégia 6

Use recursos visuais.

Criados com imagens, ícones, palavras, etc., as programações visuais são uma representação visual de uma sequência de eventos. A maioria das salas de aula usa um cronograma básico que descreve as diferentes atividades das quais os alunos irão participar ao longo do dia, mas algumas crianças beneficiam de um painel mais detalhado do que vai acontecer exatamente num determinado momento do dia a seguir a determinada ação.

Isso irá ajudar a que a criança saiba o que se espera dela e capacita-a para que se possa organizar com antecedência, permitindo-lhe manter maior controlo sobre suas emoções.

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  • Estratégia 7

Avise antes das transições.

Dar avisos antes das transições é outra ótima estratégia para prevenir as crises. E é especialmente importante quando a criança terá de transitar de uma atividade preferida para algo que considera menos interessante. Quando possível, o trabalho para a aquisição de competências temporais – conhecimento do relógio, cronómetro, dias da semana, etc. são ótimas ferramentas para usar, pois mostra visualmente à criança a passagem do tempo. Fornecer um aviso de 10, 5 e 3 minutos também pode ajudar a tornar as transições mais fáceis.

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  • Estratégia 8

Controlar as sensibilidades sensoriais.

Enquanto algumas crianças com autismo possuem características de falta de sensibilidade aos estímulos ambientais, outras podem ser extremamente sensíveis estímulos como ruídos, luzes fortes, temperatura, sabores e texturas, o que pode sobrecarregar a vida quotidiana e resultar em mais crises.

No dia-a-dia da nossa prática clínica trabalhamos lado a lado com cuidadores e educadores criando estratégias especificas paraa cada criança, incluindo dicas práticas para ajudá-los nos desafios diários, como escovar os dentes, tomar banho e usar a sanita. Também criamos atividades sensoriais reguladoras que podem ser implementadas em casa para ajudar a trabalhar e diminuir a ansiedade em torno das necessidades sensoriais individuais de cada criança.

Não sabe por onde começar ou o que irá funcionar? Acompanhe-nos, pois, iremos partilhar mais ideias sobre como acalmar uma criança com autismo em momentos de crise.

Siga o nossos próximos textos para saber com mais detalhe como acalmar uma criança com autismo e quais as nossas dicas e ferramentas para esses momentos.

Se entretanto necessitar, estamos ao seu dispor através dos nossos contactos.