Qual o melhor Método para a Reabilitação do meu filho? A resposta é fácil: NENHUM! TODOS! Desde que se baseie em ATIVIDADE!
Muitas vezes, os pais de crianças com qualquer condição que afete o seu desenvolvimento são apresentados a uma série de métodos de intervenção e programas rígidos, não lhes sendo dada a possibilidade de participar ativamente no plano de reabilitação dos seus filhos e priorizar, verdadeiramente, as competências que são mais importantes para o seu dia-a-dia.
O Método para a Reabilitação Ideal é aquele que Atende às suas Necessidades
Cada programa de reabilitação deve abordar as necessidades específicas de cada criança, considerando que cada uma possui uma história diferente.
Atualmente, a reabilitação neurológica baseia-se na premissa de que a ATIVIDADE é benéfica para pessoas com uma lesão do sistema nervoso central, quer esta seja em adultos, por exemplo em vítimas de AVC, TCE, Lesões Medulares, Escleroses, ou em crianças, por exemplo, com quadros motores graves devido a Paralisia Cerebral, Ataxias, Encefalites, Perturbação Global do Desenvolvimento, doenças metabólicas ou alterações cromossómicas.
A noção de ATIVIDADE, com propriedades terapêuticas, está tão profundamente enraizada dentro do campo da reabilitação neurológica que os estudos com ensaios clínicos em doentes em que não estão previstas atividades terapêuticas são, geralmente, considerados pouco éticos.
Os programas tradicionais são tipicamente pouco estruturados e dirigidos à compensação e não à restauração da função do sistema nervoso central.
Na verdade, quando implementamos um programa de intervenção, independentemente das valências que inclui (fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional, neuropsicologia), este deve ser pensado para as atividades que pretendemos recuperar, focando a restauração do sistema nervoso central e contanto ao máximo com a sua plasticidade.
Surge assim uma nova abordagem na reabilitação neurológica, considerando sempre a ATIVIDADE como elemento fundamental de qualquer programa: as Terapias Baseadas na Atividade (Activity-based therapies – ABTs).
As ABTs têm-se destacado cada vez mais na área da reabilitação, pois promovem a restauração da função através de uma atividade terapêutica padronizada, baseada nos princípios da psicologia experimental, da fisiologia do exercício e da neurociência.
As ABTs mais desenvolvidas, ou seja, em que os estudos demostram maior eficácia, dizem respeito à terapia induzida por restrição e técnicas de treino em passadeira, visando melhorar a marcha em pessoas com AVC e lesões medulares. Os tratamentos que incluem ABTs são mais eficazes na melhoria da função do braço e na qualidade da marcha.
Recentemente, o uso de atividades na passadeira, também em casos de Paralisia Cerebral, tem demonstrado resultados muito encorajadores, espelhando os resultados positivos das ABTs observados em pessoas com lesão medular, acidente vascular cerebral e síndrome de Down.
As técnicas de ABTs, onde se promove a atividade e funcionalidade, devem ser associadas a uma maior frequência e à utilização de diferentes intensidades e tipos de programas. Apenas assim, as consequências secundárias de distúrbios motores podem ser evitadas e corrigidas.
Os estudos mais recentes têm demostrado que as ABTs aumentam a capacidade de plasticidade cerebral através de:
Como “cientistas do movimento”, os fisioterapeutas que tratam pessoas com patologias neurológicas, como AVC, TCE, Lesões Medulares, Paralisia Cerebral, devem otimizar o tempo de intervenção e eliminar da sua prática clínica abordagens que apenas revelam efeitos positivos discretos e substituí-las por protocolos de exercícios baseados em evidências, que, de uma forma geral, demostram maior eficácia na funcionalidade a nível imediato e a longo prazo.
O fisioterapeuta necessita de mudar de abordagens tradicionais ou “em pacote” para uma abordagem mais focada e proativa de promoção de atividade através de protocolos de treino ativos mais intensos, de modificações no estilo de vida e da utilização de dispositivos para melhorar a mobilidade.